O Atlas das Emoções

Já alguma vez pensaram o quão desafiante pode ser verbalizar o que se sente num determinado momento? Muitas vezes no meio das situações mais intensas que nos acontecem, ficamos submersos pela emoção que estamos a sentir e, portanto, ela “apodera-se” de nós, tornando muito difícil darmos uma resposta mais racional, ponderada. Ficamos prisioneiros das nossas emoções, atordoados pelas “ondas” desse mar revolto que nos invadem e nos levam a reacções menos adaptativas ou menos alinhadas com o que realmente somos e queríamos fazer, se pensássemos nas consequências, e isto pode ter consequências nefastas para as nossas vidas. Muitas vezes tem.

A capacidade de reconhecermos as emoções está na base da Inteligência Emocional. Segundo o Daniel Goleman, tudo começa com a auto-consciência emocional, ou seja, estarmos conscientes do que estamos a sentir num determinado momento. A corrente do Mindfulness acrescenta (a este estado de maior auto-consciência) estarmos também conscientes dos  nossos pensamentos e comportamentos. Assim, esta inteligência no momento presente começa com a nossa capacidade de estarmos conscientes do que sentimos, pensamos e como estamos a agir (como o corpo se está a comportar).

Com este ponto de partida e com este treino, acede-se a um universo de avaliação e de consciência de como estamos a lidar com o que nos acontece no determinado momento. Ao mesmo tempo percebemos que a nossa resposta às situações mais ou menos desafiantes que nos acontecem, terá mais condições para ser uma resposta inteligente e adaptativa, precisamente porque estamos mais cientes do que se está a passar connosco “online“. É, assim, ter acesso à forma como lidamos com o que nos acontece (a ciência chama esta capacidade de “coping”) sem querer controlar o que acontece em si (causas, condicionantes e circunstâncias). A capacidade de controlarmos a RESPOSTA que vamos dar a um determinado acontecimento, no momento presente, ou seja, a capacidade de tomarmos uma decisão e fazermos efectivamente uma escolha consciente (Como Viktor Frankl diz :”é aqui que reside a verdadeira liberdade de uma pessoa”).

Imagina, por exemplo, que estou numa situação de tensão com alguém eu começo a sentir raiva ou sentir-me injustiçado com o que estou a ouvir. O que pode acontecer? Se estiver menos consciente mergulho nessa emoção de tal maneira que começo a falar com o outro com essa raiva na voz ou como um injustiçado. E então, estou assim a reagir e não a ter uma reposta verdadeiramente consciente e provavelmente mais assertiva, logo com uma consequência mais positiva. Para que possa ter uma resposta mais assertiva e mais consciente primeiro teria de ter tido consciência do que estava a sentir, portanto de certa forma ter tido uma atitude de observador simultânea ao momento em que sentia e vivia o acontecimento em si (mais mindful) e partir daí conseguir decidir tomar uma acção em relação àquela conversa ou àquilo que o outro me estava a fazer sentir no momento.

É aqui que entra o Atlas das Emoções pois é uma ferramenta que te vai ajudar a ganhar léxico emocional. Perceber que algumas emoções são complexas, outras são mais simples, ou mesmo que os sentimentos (diferentes das emoções pela sua durabilidade no tempo e menos intensidade) podem ser nomeados de forma própria, pelo seu nome. Conhecer e treinar a capacidade de dizer o que se sente é fundamental para que, num momento mais desafiante, uma pessoa possa ser capaz de verbalizar o que sente sem “escravizar” o seu comportamento num ciclo reactivo. Poder dizer, no exemplo acima apresentado, “Eu estou a sentir-me injustiçado com as tuas palavras … Sem responder como um “injustiçado”.

A prática que poderemos desenvolver para o treino da nossa Inteligência Emocional consiste em falarmos do que estamos a sentir, utilizando uma boa panóplia de nomes, ou seja, chamarmos as diferentes emoções que estamos a experienciar  (como cores diferentes) como elas são.

É este o desafio! Será fácil? Certamente que não, sobretudo nos momentos “mais quentes”, mas vale a pena certamente! A prática é: treinar, treinar e treinar para ir ganhando “músculo”. E claro, qualidade nas nossas relações e na nossa vida também.

Boas práticas!

Atlas das Emoções | Atlas of Emotions

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